sexta-feira, 4 de março de 2011

CURURU CURIOSO


CURURU CURIOSO



Era uma vez, em um Brejo bem distante, um sapinho muito curioso, que vivia a espiar tudo e todos.

Certo dia ele ouviu dizer do sapo que foi a festa no céu, e logo tratou de entrar no violão do urubu para ir também conhecer o que havia nas alturas, mas foi logo descoberto e posto para correr, pois, curioso como só ele, ao invés de se esconder, quis ficar com a cabeça para fora, para, assim, poder ver tudo o que acontecia.

O Sr. Joca Urubu ficou muito bravo e tratou de espantar o folgado a bicadas.

Outro dia, quis saber quantos ovos botava cada galinha do galinheiro do Galo Gervázio, mas ele, que era o mestre do terreiro, descobriu e pôs o curioso para correr à esporadas.

Acho que ele nunca ouviu dizer que a curiosidade matou o gato, ou achava que com sapo era diferente, não é?

Certo dia, não se sabe como ou porque, as coisas lá no Brejo mudaram muito.

Aconteceu uma coisa que ninguém imaginava que aconteceria.

O Brejo secou. E todos queriam saber e questionavam uns aos outros:

- Mas como o Brejo secou?

Todos perguntavam, mas quando o Cururu, o sapo curioso, disse:

- Pessoal, já que ninguém sabe por que o Brejo secou, vamos subir a Colina para tentar descobrir...

Quando ele disse isso, todos trataram de arranjar, logo, uma desculpa:

- Eu não posso ir... Tenho que cuidar da toca e...

Outro dizia:

- Eu menos. Preciso proteger meus ovos de predadores e...

Isso mesmo pessoal. Todos os bichos do Brejo inventaram uma desculpa, mas ninguém se prontificou a deixar a segurança dos arredores do Brejo. Cururu, além de curioso, era decidido:

- Pois se todos estão ocupados,então irei eu. Irei sozinho e descobrirei o que aconteceu com as águas do nosso Brejo...

Passando pelo galinheiro do Galo Gervázio, percebeu que lá também não havia água, sendo assim, por tamanha sede que sentia o pobre mestre de terreiro não aguentava, se quer, correr para esporar e espantar o sapinho curioso:

- O que acontece por aqui?

Perguntou Cururu:

- Não sei, mas já faz um tempo que a água não chega aos canos da Fazenda.

Respondeu o galo, então Cururu contou:

- Pois é! O Brejo também secou e eu vou subir a Colina para descobrir o que está acontecendo... Venha comigo você também, Sr. Galo Gervázio.

Mas o galo, assim como os outros bichos do Brejo, nunca havia deixado os arredores da Fazenda e tinha muito medo do desconhecido, ao contrário do Cururu curioso, e corajoso.

Quando Cururu deixava a Fazenda, um pintinho o parou e disse:

- Eu quero ir com você... Me leva com você? Por favor! Por favoooooooooor!

Mas o sapinho não estava certo de que seria uma boa ideia e foi aí que ele ouviu os gritos cocoricados e desesperados de uma mamãe galinha:

- Pedro Pinto, volte já para o galinheiro...

Cururu se apressou, e logo chegou à árvore onde morava Joca Urubu, que quis saber:

- Onde vai seu Cururu curioso?

- Vou subir a Colina para saber por que a água deixou de descer para o Brejo, que já está sequinho, sequinho.

Vendo que o sapinho seguia em frente, não parando nem para responder, Joca Urubu bateu as asas e foi parar bem em frente ao curioso e decidido Cururu:

- Sabe de uma coisa? Apesar de você estar tão disposto a subir a Colina, com esses seus saltinhos, vai demorar muito... Quer voar comigo?

Os olhos do sapinho curioso brilharam:

- Voar nas alturas, lá no céu? Vou voar no seu violão, como o sapo que foi à festa no céu?

Mas o Urubu negou:

- É claro que não vou voar com você dentro do meu violão! Fica muito pesado...

Cururu ficou tão desapontado! Murchinho, murchinho. Mas Joca completou:

- ... Salte nas minhas costas. Deve ser bem mais fácil levar só você, não é mesmo?

O Cururu ficou todo animado outra vez e tratou de saltar nas costas do urubu, antes que ele mudasse de ideia.

Rapidinho, rapidinho, chegaram ao topo da Colina e, lá do alto, Joca Urubu arregalou os olhos e começou a lamber o bico. Todo esfomeado, falou:

- OBA! Que belo jantar!

Lá do alto ele viu uma vaca deitada bem em cima da nascente, mas quando desceram, ele percebeu que ela ainda não estava pronta para virar comida de urubu, pois logo que os viu, deu um berro tão alto:

- MMMMMUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU...

Cururu curioso, mal esperou Joca descer e já foi perguntando:

- O que aconteceu com a senhora?

A vaca, já com a voz cansada, respondeu:

- Ah, meu filho! Eu encontrei uma água tão limpinha, tão fresquinha e não resisti... Corri para ser a primeira a me refrescar, mas acabei escorregando e me atolando na lama. Agora não consigo sair. Estou presa aqui há dias...

Cururu, muito prestativo:

- Vou ajuda-la D.ª Vaca...

Empurra daqui, faz força dali, puxa de cá, mas a vaca nem se movia. Foi aí que joca Urubu teve uma ideia e...:

- NHOOCT!!!

Deu uma bicada bem forte no rabo da vaca, que saltou tão alto, como nunca se viu antes, conseguindo se desatolar.

Logo em seguida, uma água clarinha, limpinha e fresquinha começou a correr Colina abaixo e Cururu foi repreender:

- Pois tem muita graça, hein D.ª Vaca? Por causa de sua gulodice, quase mata os bichos do Brejo e da Fazenda de tanta sede. Veja se toma mais cuidado na hora que for beber água outra vez, hein?

D.ª Vaca, sem ter como se explicar, apenas disse:

- Er... Desculpe...

Cururu saltou de volta nas costas de Joca e, ao chegar no Brejo, foi recebido com muita festa e agradecimentos. Por causa de sua curiosidade e persistência, ele conseguiu levar a água de volta ao Brejo.



MARIA HELENA CRUZ
 http://ayram-contosfadas.blogspot.com/
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Um comentário:

  1. ser curioso, é perseverar procurar respostas, não se acomodar.maravilha de conto. sapo cururu do brejo.......

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